Eu preciso confessar uma coisa: sou — ou melhor, era — chocólatra.
E descobri, da pior forma possível, que o excesso de chocolate pode contribuir para a formação de pedras nos rins, especialmente as de oxalato de cálcio.
Acabei de passar por uma cirurgia para retirar uma pedra gigante. Dor, medo, cateter, recuperação.
Foi um choque físico. Mas hoje eu tive também um choque moral.
Uma investigação recente revelou que algumas das maiores marcas globais de chocolate continuam expostas a cadeias de fornecimento ligadas ao desmatamento na África Ocidental — especialmente em países como Costa do Marfim e Gana, responsáveis por grande parte do cacau mundial. (Vou deixar o link nos comentários para você conferir).
Entre as empresas citadas no relatório estão:
* Mondelēz (Cadbury, Milka, Toblerone)
• Mars
• Nestlé
• Hershey’s
• Unilever
Tecnicamente, esse é um exemplo clássico de impacto de Escopo 3 — ou seja, os impactos indiretos que acontecem ao longo da cadeia de valor, fora dos muros da empresa.
As marcas não estão segurando motosserras. Mas continuam financiando esse sistema por meio da demanda pela matéria-prima. E, na prática, é ali que está a maior parte do impacto ambiental das empresas hoje.
A denúncia aponta que, mesmo após compromissos públicos de “desmatamento zero”, parte do cacau ainda pode estar vindo de áreas onde florestas tropicais foram ilegalmente convertidas em plantações.
Isso me fez pensar:
Quantos dos nossos hábitos “inofensivos” escondem impactos ambientais, sociais e humanos profundos?
No meu caso, o chocolate não era apenas um pequeno prazer. Ele estava prejudicando a minha saúde. E agora sei que, em muitos contextos, ele também prejudica a saúde do planeta.
Talvez a pergunta mais importante não seja: “O que eu estou consumindo?”
Mas sim: “De onde isso está vindo — e a que custo?”
Isso não é uma cruzada contra o chocolate (dado ao meu histórico de amante de chocolate, não tenho moral para isso!). É um convite à consciência. Para consumidores. E, principalmente, para empresas.
Porque sustentabilidade de verdade não está no rótulo. Está nas escolhas — inclusive nas invisíveis.
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Por Denise Curi – PhD | Mentora e consultora em Sustentabilidade/ESG | Integro impacto e estratégia para resultados reais e integrante do AMAV.
